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Se a Vida te dá limões...

Rotinas, Organização, Dicas e Desabafos. Uma vida igual a muitas outras!

Continuamos a não dar atenção

Ana Gomes
19
Jan22

Infelizmente mais uma vez uma adolescente de 16 anos partiu! Partiu para que possa descansar de um problema que muitas vezes é incompreendido! 

Sofria de depressão e estava a ser tratada e medicada com a ajuda da familia. Mas a população continua a não dar atenção às doenças mentais. 

A povo não imagina a dor e sofrimento que isto causa nas pessoas que sofrem e nas familias da mesma! 

Há por aí muitas pessoas que acham que uma depressão é um mero capricho de quem não se sente bem, de quem tem dores, de quem tem ataques de panico... Não é! Não imaginam o quão agoniante é para a pessoa que sofre, o quão agoniante é pedir ajuda sabendo que do outro lado poderá estar alguém que ache que isto é somente coisas de quem não tem nada para fazer. 

Não falo só por falar, infelizmente já passei por várias as quais consegui e tive coragem de pedir ajuda a tempo e horas. Aprendi mecanismos de defesa para que as coisas não piorem e sei notar sinais em mim de que as coisas vão começar a cair!

Tudo começou em 2010 após o nascimento do meu filho mais velho, como era possivel eu como mãe resmungar com um bebé de 6 meses que passava a vida sentado no carrinho a brincar e a ver bonecos? Alguma coisa não estava bem! Fui falar com a minha médica e quando lhe comecei a contar o que sentia e como falava para o meu filho foi a gota... desatei num choro só e aí começou a minha primeira medicação. Após um ano de medicação e como o caso não foi grave comecei o dito desmame da medicação e andei feliz e saudável até 2019. 

O ano de todas as minha provações, acabar 2018 com a noticia que o meu pai estaca canceroso e com metasteses, começar 2019 a leva-lo a Espanha para tratamentos e passar 2 meses sem o ver por não poder ir lá. Saber que esteve duas vezes nos cuidados intensivos e que quase o perdi sem me poder despedir, acabou mesmo por partir sem que lhe pudesse dizer um "até já!".

Abril 2019, após o falecimento do meu pai começou o meu tormento novamente, fiquei eu de tratar de tudo sobre a herança. (Atenção tenho mais 3 irmãos)

Andei a correr para bancos uma semana após a morte dele a deixar pedidos de extratos de contas e ao final de 2 bancos já as lágrimas me corriam pela cara. 

Em Maio para minha desgraça o meu marido tem um AIT (Acidente Isquémico Transitório) e eu sempre na correria dos papéis da herança e a levar o marido a consultas e exames. 

Chega Junho e eu não aguentei mais... entrei no consultório da médica de família (sim esta era a verdadeira médica de toda a família) e desato num pranto que não tinha nem forças nem vontade para nada. Dizia-lhe que me doia o corpo todo e que por vezes tinha falta de ar, um aperto no peito e não dormia!

Fui posta em casa por 30 dias, tomava medicação de manhã e à noite, ia deixar os meus filhos à escola voltava para casa e deitava-me e só acordava na hora de os ir buscar e voltava para a cama. 

Andei nisto mais um ano com medicação para dormir, para estar calma e por fim quando achei necessário fazer o  desmame porque já conseguia reagir "normalmente" na vida veio a pandemia!

Compramos a casa na Aldeia e desde então vamos para lá todos os fins de semana, deixei a medicação em Junho de 2020. 

Comecei a entender que nem tudo tem de girar à volta dos outros, que não tenho que me preocupar com os outros mas comigo e com os meus filhos tudo o resto é um acréscimo.

2021 em maio sou diganosticada com lesão no útero e lá ando eu a correr para biopsias, exames para ser operada em finais de setembro.

2021 passou... covid, férias, escola, trabalho, operação tudo dentro do normal, mas final de 2021 começo de novo a ter insónias, dores musculares nas costas zona lombar e ombros e tudo começa de novo a surgir. 

O facto de não dormir não significa não tenhamos sono mas sim que o nosso sistema não está a desligar como devia por algum problema, são estes pequenos sinais aos quais devemos ter atenção. O porquê de dores musculares se não fomos ao ginásio, não fizemos actividade nenhuma que nos deixasse com dores! 

Continuei assim por 3 meses achando que seria o stress de ter sido operada, apesar de tudo estar bem aquilo fica sempre na nossa cabeça a martelar. Sem médica de familia porque ela se reformou liguei à enfermeira e pedi-lhe medicação para dormir. Sabendo ela do meu historial mandou-me passar no centro de saúde para uma consulta do urgência. 

Adorei o médico e a maneira que ele abordou o assunto, sei que ele tem lá o historial todo mas recordo que me perguntou o porquê de lá estar e disse-lhe que não dormia há uns meses e que sentia necessidade de descansar. A pergunta a seguir foi "não tem vontade de acabar com o mundo?"

Comecei-me a rir e disse "Não Doutor, só quero mesmo dormir, não estou na fase de querer acabar com tudo e com todos só estou mesmo cansada de tudo o que passei desde Maio até agora com a lesão no utero!"

Ele olhou para mim e sorriu, passou-me um relaxante muscular e digo-vos que foram as melhores noites de descanso da minha vida, já não me lembrava de dormir tão bem. 

Por vezes sabermos quando recorrer e pedir ajuda, ajuda-nos a nós! 

Sabermos descodificar os sinais que o nosso corpo dá é o melhor para nós! 

 

Pequena reflexão ou conselho que vos deixo:

Se não se sentirem bem, tiverem dores ou pensamentos que vos atormentam por favor falem com alguém que vos seja chegado, familia, amigos mas acima de tudo falem com o vosso médico peçam ajuda. 

Não é vergonha nenhuam pedirmos ajuda quando não conseguimos sozinhos, não temos que levar o mundo às nossas costas, não temos de fazer estas viagens sozinhos e quanto mais cedo conseguirmos entender os sinais mais fácil será o tratamento e a recuperação. 

Como soube eu quais os sinais? Eu estudei Psicologia e claro já vi um irmão numa depressão profunda que para sair dela precisou de 3 anos e ainda hoje anda medicado. Tudo isto ajudou-me a mim a entender tudo o que sentia e a pedir ajuda. 

Peçam ajuda! 

Link de acesso a informação DGS sobre linhas de apoio à saúde mental

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